CAPITULO2. Meu pai não
Eu comecei a correr em direção ao portão da frente, sem parar nem para respirar, sem ao menos saber o que estava acontecendo, ou para onde iria.
Mas os gritos do meu pai me fizeram parar e olhar pra trás.
Ele estava na porta de casa com o tal homem, olhando seus capangas que já vinham correndo atrás de mim:
- Foge, Jennifer. Vai embora, minha filha.
As lágrimas foram inevitáveis, vendo o desespero do meu pai. E eu me virei novamente, para correr, mas já era tarde. Eles me pegaram, e eu tentei me soltar, os chutava, os mordia, mas foi em vão.
Eles me levaram de volta para a porta da minha casa e me jogaram no chão.
Do lado do meu pai, estava o homem o mandante daquilo tudo, pensei,e eu o implorei:
- Solta ele, moço. Por favor ,deixa o meu pai.
Ele me olhou, ali no chão, como se eu fosse um inseto. Um lixo, pronto pra ser jogado fora. Uma mendiga implorando por comida, ou nesse caso, por piedade.
Ele se aproximou de mim, parando adiante de mim, e sem perder tempo, eu agarrei as pernas dele, chorando compulsivamente:
- Solte ele.
Ele me puxou pelo braço, me erguendo e olhando diretamente nos meus olhos. Os olhos azuis dele penetraram nos meus, e a pressão com que ele segurava meu braço, me fazia chorar mais ainda de dor.
- Por favor, senhor. Deixe ele.
Ele me olhava fixamente, alternando entre meus olhos e minha boca, tremula e apavorada, implorando por perdão. E enfim ele disse algo, em alto e bom som:
- Julian, faça as honras da casa.
Eu não sabia o que isso queria dizer, mas continuei olhando para ele. Até o barulho que eu tanto temia, se fez valer.
- PAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAI.
Eu arranquei do peito, o mais alto e forte grito que eu jamais pensei que poderia ter. Eu puxei meu braço das mãos dele ,e corri até meu pai, caído no chão, sangrando. E enquanto eu corria até ele, gritava, implorava para Deus, ou anjos, ou espíritos, seja lá se existissem, mas para alguém que o ajudasse, que não tirasse a única família que eu tinha, e a pessoa que eu mais amava na vida.
Eu me joguei ao lado dele, no chão, e peguei a mão dele, firme:
- Pai, acorda. Vai dar tudo certo, eu to aqui.
- Jenn-Jennifer...
- Não fala nada, pai. Vai ficar tudo bem, eu prometo.
Eu sentia o medo tomar conta da minha alma naquele momento, e as lágrimas não eram o suficiente para demonstrar tudo o que eu sentia.
- Me descul...desculpa.
- NÃO PAI, não vai, abre esse olho pai, fica aqui.
Eu apertava a mão dele o mais forte que eu podia, e as minhas lágrimas molhavam todo sua roupa.
- N-não, se esqueça de fazer... o dever de casa!
- Pai, não pai. Pai?? Papai, não faz isso, pai.
Eu vi ele fechar os olhos e soltar gradativamente minha mão. Mas antes que eu pudesse dizer mais alguma coisa, um dos homens puxou meu cabelo com força, me levantando e me arrastando pelo chão, até o carro. E eu gritava, eu soltava do meu peito todo o fôlego e toda o ódio que eu tinha naquele momento:
- VOCÊ MATOU MEU PAI , ME SOLTA SEU DESGRAÇADO.
Eu me debatia no chão, e agarrava as mãos deles com a unha, sentindo ele agarrar meu cabelo como se eu fosse uma garota de programa. E quando ele passou por mim, o provável patrão deles, eu não me contive:
- SEU FILHO DA PUTA, ASSASSINO, VAI PRO INFERNO DESGRAÇADO. EU VOU MATAR VOCÊ, EU JURO, EU VOU MATAR VOCÊ.
Ele sorriu, abriu a porta do carro, e o homem me jogou lá dentro.
Essa cena fervia na minha cabeça. Tudo o que eu tinha comigo era uma mochila com alguns cadernos e a roupa do corpo, isso era tudo o que era de fato, meu. Nada mais era real. Meu pai estava morto. MORTO! Minha mãe morta e meu pai, morto.
E agora? O que seria de mim? Eu não me imaginava mais, não sabia mais quem eu era, ou o que seria me mim.
Tudo o que eu sabia, é que eles, aqueles três homens mataram meu pai, e estavam me levando pra algum lugar... uma floresta, ou praia deserta, ou sei lá... qualquer lugar onde pudessem me matar e jogar o corpo fora.
Jennifer: Pra onde você vai me levar, seu desgraçado? E quem é você? É o chefe deles? Ou está trabalhando pra alguém? E porque matou meu pai? Ele não roubou nada de vocês...
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