segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

A Dívida.

CAPITULO3-Respostas

XxXx:   Você faz muitas perguntas.

 Ele respondeu, sem ao menos olhar pra mim. 
Desgraçado. Eu não conseguia me conter, não ia esquecer nunca o que aquele filho da mãe fez. 
Sem pensar duas vezes, eu me virei em direção a ele, e comecei a chuta-lo, com força:                   

            Jennifer: O QUE VOCÊ QUER SEU CRETINO? JÁ NÃO MATOU MEU PAI? VAI FAZER O QUÊ, ME MATAR TAMBÉM? 

    E eu chutava aquele filho da puta com toda a minha ira, sujava todo a roupa de marca que ele usava, gritava e o xingava, mas antes que os amiguinhos dele tomassem uma providencia, ele mesmo o fez. Sacou um revolver do bolso e apontou para mim: 
           XxXx: Eu acho melhor você cooperar agora!
   Eu fiquei estática. Tudo aquilo era surreal. Hoje de manhã eu ia pro shopping com o meu pai, e agora eu ia pra onde? Pra guilhotina?

        Jennifer: ATIRA, ATIRA AGORA SEU IMBECIL. ME MATA QUE NEM FEZ COM O MEU PAI. 
   Eu cheguei perto dele, o mais próximo possível e encostei o cano da arma no meu peito:

        Jennifer: ATIRA VAI, MATA UMA ADOLESCENTE DE 17 ANOS, À QUEIMA ROUPA. FAZ ISSO!

   Ele me olhou fixamente, pensou por alguns segundos e abaixou a arma. Pegou o celular e discou um numero rapidamente: 

        XxXx: Félix? Já estou a caminho. E a propósito: - ele me olhou fixamente – Eu já tenho a garota!

  Ele desligou após isso. E o carro parou. A porta do meu lado se abriu e um dos homens me puxou pelo braço, me arrancando do carro. 
Eu puxei minha mochila comigo, e a pus nas minhas costas. 
  Do lado de fora, eu pude reconhecer facilmente onde eu estava. Era um aeroporto particular. Onde um avião de alto porte estava pousado, a alguns metros de distancia de nós. 
Eu tentei olhar pra trás e os outros dois homens também se dirigiam a ele. 

        Jennifer: Pra onde você está me levando?

        XxXx: Pra casa! 
   As escadas do avião desceram e ele me empurrou pra dentro do monstruoso transporte. Por dentro, era quase tão impressionante quanto por fora. Era claro que esses homens eram ricos, ou melhor milionários. Era tudo impecavelmente limpo e luxuoso, um avião inteiro para aqueles três maníacos. 
Ele me direcionou para uma das poltronas, e logo se sentou do meu lado. Mais a frente os outros dois se sentaram, em outras poltronas e o avião ameaçava decolar. 

   Eu tirei minha mochila, e a apertei firme contra o meu peito. E eu chorei, novamente. 
Incrédula e perplexa com o que havia me acontecido. E me perguntava , o porquê de tudo aquilo ter acontecido comigo e com o meu pai. O que fizemos de errado? Será que era algum tipo de agiota? Eu não sei, eu não sabia de nada. 
   Mas o que você faz quando seu pai é assassinado na sua frente? O que você sente quando esta sentada ao lado do homem que deu um tiro no seu pai? O que você diz quando está num avião com os caras que tiraram de você a pessoa que você mais amava, que você mais admirava, a pessoa que cuidou de você a vida inteira, a única pessoa que te restou no mundo desde que sua mãe morreu ? Aquela pessoa que te ajudou a dar os primeiros passos, que ficou triste em saber que sua primeira palavra foi ‘mamãe’ , mas que continuou lá, firme, te segurando. Te dando apoio moral, quando você conseguiu abandonar as rodinhas da sua primeira bicicleta. Que te deu um abraço forte e sorriu para o fotografo, na sua formatura da quarta serie. A pessoa que trabalhou por dois pra te sustentar, e nunca, jamais em nenhum instante, reclamou disso. O que você faz nessa hora? O que você sente? O que você diz? 
Eu me fazia todas essas perguntas, e as lágrimas rolavam instantaneamente. 

  O brutamontes passou o braço na minha frente e abriu a janela: 

                 XxXx: Tem uma vista excelente daqui! Devia aproveitar Miss. Santiago.
  Eu fiquei naquele avião por cerca de nove horas. A cada 10 minutos eu olhava o meu relógio de pulso, e enquanto o homem do meu lado dormia eu não preguei o olho, matutando alguma coisa pra ir embora dali. 
Não seria fácil, mas eu ia conseguir. Mesmo se eles tivessem me levando pra outro país, como eu entraria lá? Eu sou brasileira, e menor de idade, não tenho permissão para morar em outro pais sem passaporte ou greencard. Eles iam se ferrar, com certeza. As autoridade me deportaria pro Brasil e eu ficaria num internato, ou juizado, sei lá. Mas com certeza não ia ficar com aqueles homens.
   Eu senti a turbulência, e pensei que o avião pousaria em breve. Eu olhei para a janela e senti frio. Já era noite e provavelmente era inverno, seja lá onde eu estava naquele momento. Olhei para baixo, avaliando as roupas que eu usava: Um tênis allstar preto, calça jeans, uma regata braça por baixo de um casaco de malha rosa claro, com um capús bem vagabundo nas costas. Pus o capús na cabeça e fiquei me alerta quando os homens que sentaram na frente se levantaram. 
Prontamente, eu fiz o mesmo, passando na frente do cara que ainda dormia do meu lado. Assustado, ele acordou e também desceu do avião.
   Do lado externo, tinha um luxuoso carro à espera, com um motorista, à posto. Ele abriu a porta para os homens, sem abrir a boca pra dizer nada, e eu reivindiquei: 

          Jennifer: Eu não vou entrar aí. – Eu dei uns passos pra trás, pronta pra correr.
          XxXx: Julian, segure-a .    –  disse o suposto patrão deles. 

 E ele rapidamente, segurou meu braço, me empurrando em direção ao automóvel:

         Jennifer: Vocês não podem fazer isso, é ilegal. Eu sou uma cidadã Brasileira. Não posso entrar em outro país assim, eu vou denunciar vocês, isso é seqüestro.    – eu gritava.   

         Julian: Fica quieta garota. 

 E novamente ele me jogou no carro. Eu já estava de saco cheio disso. Mas dessa vez ele ficou. Só o patrão, e o outro capanga seguiram viagem. E no banco traseiro, novamente, o homem sentou do meu lado. E eu precisava começar a entender o que acontecia ali:

        Jennifer: Você é o patrão? É o chefe?    - 
Perguntei, encolhida do canto, segurando minha mochila contra mim. 
        XxXx: Rótulos e mais Rótulos. Eu sou Michael.
       Jennifer: O que você vai fazer comigo?

       Michael: Te levar pra casa! 

Ele me olhou, sorriu, e voltou a olhar para frente. 
Seja lá o que viria, eu logo ia descobrir. 

    O trajeto de carro, durou cerca de 3 horas. Quando o motorista estacionou, eu logo me ajeitei, a fim de saber onde eu estava.
              Michael: Mudança de planos, Roger. Ela fica.    
- Disse para o capanga. 

              Roger: Mas senhor, como assim, ela fica? 

              Michael: É uma ordem.   – respondeu, enquanto mexia brevemente no celular.

             Roger: Mas senhor, ela não pode ficar aqui, ela é uma...

             Michael: Obrigada pelos seus serviços, Roger. Dispensado por hoje. 

 Ele saiu do carro e em seguida, bufando algumas coisas em outro idioma, o capacho logo saiu também. 
Eu não sabia o que estava acontecendo mas também desci do carro. E seja lá onde eu estava, era estranho porque era de dia. Muito confuso, porque só de viagem eu tinha calculado umas 6 horas. Talvez o fuso horário, tenha interferido. 
E ao olhar pra frente, eu vi umas das coisas mais inacreditáveis que eu já tinha visto na vida. Eu não ousaria chamar aquilo de casa, e nem de mansão. Talvez palácio, ou sei lá... 
  Era branca e na entrada tinha um jardim, que simplesmente era fantástico. 
Dessa vez, ninguém saiu me puxando pelo braço. O capacho, tal de Roger, tinha saído de perto, o motorista tinha tirado o carro e o tal de Michael, provável dono da casa, caminhava em direção à porta da mansão, sem me esperar , ou dizer nada. 

   Sem pensar duas vezes, eu saí correndo, pra fora dali, ao lado oposto da casa. Corri desesperadamente, em busca da única chance de fuga que eu poderia ter.
     Em vão. Mais adiante tinha um portão enorme de ferro, que mais pareciam grades de prisão. E no meu caso, eu acho que realmente eram grades de prisão. 
Eu segurei as barras do portão com força e as sacudi:  
                      Jennifer: SOCORROO!!!! SOCORROO! ALGUÉM ME TIRA DAQUI. 

     Eu fiquei lá, durante um bom tempo. Gritando por misericórdia. E ninguém me ouvia. Eu tinha a conclusão que a sensação de estar em um lugar vazio, gritando sem ninguém me ouvir, não era só internamente, era externo também. 
Parecia que quanto mais eu gritava, mais sozinha eu ficava. Eu tentei escalar, mas não dava, não tinha suporte para eu apoiar, e os muros eram altos demais. Além do mais, pra onde eu ia, aliás, onde eu estava? Quem eram aqueles homens? Porque mataram meu pai? Eu não sabia de nada disso. Estava de mãos atadas. 
                   Jennifer: SEU FILHO DA PUTAAAAA, DESGRAÇADO! EU VOU MATAR VOCÊ.
    Eu gritei mais uma vez, em direção a casa que estava a km de distancia de mim. Eu queria que ele ouvisse o amaldiçoando, que me deixasse ir embora ... que não me fizesse mal. 
E eu chorei novamente. Chorei até cair no chão. E fiquei lá por algum tempo. Praguejando o infeliz, tirando do meu peito toda a angustia daqueles sentimentos recém adquiridos. 
   Mas eu já estava cansada de fica lamentando, de não ser ouvida, de não estar entendendo o motivo pelo qual mataram meu pai do nada. 

Eu me levantei e sai correndo, em direção a mansão. Eu corria num velocidade inacreditável, gritando e chorando, sentindo a raiva tomar conta do meu ‘eu’. Eu ia matar aquele cretino, eu ia acabar com ele, como ele fez com o meu pai. 
Eu atravessei o jardim como uma bala, cheguei a tropeçar e cair no chão, mas me levantei e continuei a correr, desesperadamente em direção a porta frontal, que estava aberta. 

              Jennifer: MICHAEL? VEM AQUI SEU DESGRAÇADO, APARECE... 
    Eu parei na entrada, e chamei por ele, eu gritei por ele. E ele não veio, nem que fosse pra me matar ali mesmo, mas eu queria que ele aparecesse novamente. Meu rosto estava quente e encharcado de lágrimas, mas eu não me contive e continuei gritando, até que uma voz, desviou minha atenção: 
        XxXx: What are you doing?
   Uma mulher baixa, gorda de meia idade ,apareceu falando alguma coisa em outro idioma, e sua feição parecia brava com a gritaria que eu fazia.Eu corri até ela e segurei seus braços com as duas mãos, sacudindo-os desesperadamente:
            Jennifer: Cadê o Michael? Onde ele está? Me fala, onde ele ta! 
            XxXx: lemme go! 

            Jennifer: Cadê ele? 
   Eu estava tão revoltada, que não percebi direito que ela não falava minha língua. 
Eu a soltei, e levei minhas mãos até minha cabeça, apertando meus cabelos com força. Confusa com aquilo, querendo saber qualquer coisa...Eu dei um grito agudo tão forte que a mulher encostou no meu ombro, e eu a olhei: 
             XxXx: Are you Ok?
             Jennifer: Eu sei lá o que você ta falando!
   Eu comecei a chorar novamente. E gritava cada vez mais alto, enquanto gritava. Eu olhava em volta, e a casa era enorme, varias escadas, e provavelmente ele nem estava me escutando. 
A mulher continuava lá me olhando, agora com cara de pena. Ela não sabia o que fazer, e estendeu a mão para mim. 
Eu não podia lutar mais, eu estava sozinha.
 Enfim eu cedi e segurei a mão dela.

    Ela me levou para uma cozinha do tamanho da minha casa. Puxou uma cadeira para eu sentar, e eu o fiz. 
Ela pegou um guardanapo e me entregou. Esperou mais alguns minutos até eu me acalmar e voltou a perguntar algumas coisas: 

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