segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

A Dívida.


CAPITULO1.    BOA NOITE, PAPAI! 


   Depois de 6 horas intermináveis de viagem, eu ainda estava lá, enclausurada naquele carro, como se estivéssemos andando em círculos, sem nunca chegar a um destino. 
Eu gritei, reclamei, chorei, e protestei ferozmente, trouxe a tona todo o sofrimento e a angústia que eles estavam me fazendo, mas não era o suficiente para que me libertassem. 
   E então, depois de 2 horas, eu aceitei o meu destino, sem mesmo saber o que seria de mim dali pra frente. 
Eu me encolhia no canto direito do carro, debruçada no vidro fume, escutando somente o ruído da minha respiração, um tanto acelerada. Eu esticava meus olhos ao lado oposto do carro, a fim de olhar para o homem que tornou realidade o pior pesadelo do meu pai. 

   E ele parecia não se preocupar muito, nem com a situação, muito menos com a minha presença. Vestia um terno, e sua postura era ereta, um figurão da alta sociedade americana, pensei. 
              - Eu quero ir pra casa!      
-Exclamei, em alto e bom som.
              - Você está em casa agora, Miss Santiago.
  Eu retomei minha posição inicial, apática, apenas debruçada, encolhida sobre a janela do luxuoso carro, e na minha mente atordoada, rodavam por milhares de vezes a cena que eu acabara de vivenciar. 
Era uma manhã de sábado e eu ia sair para fazer comprar de Natal com o meu pai. Enquanto eu estava em meu quarto, me vestindo, eu escutei um estrondo de arrombo, e logo em seguida, meu pai exaltou a voz. 
Eu corri imediatamente para ver o que acontecia na sala, mas parei atrás da porta, olhando uns homens conversarem com ele. 
     Meu pai parecia confuso, levantava as mãos com freqüência, tremia e pedia calma. 
O sotaque dos homens, me impediam de entender o que eles falavam ,mas meu pai parecia estar acostumado e respondia imediatamente tudo o que lhe era perguntado. 
Passos atrás deles, tinha outro homem, de terno, que olhava as fotos de família que tínhamos na cômoda, observando-as atentamente. 
                - Por favor, me dêem mais um prazo. 
                - O prazo já lhe foi dado, senhor. Ou paga, ou morre!

       Meu coração sentiu um aperto e eu tentei dar um grito, mas levei as mãos à boca, para abafar qualquer tipo de som que pudesse sair. Meu pai estava tremulo, era visível seu medo diante dos dois homens.
               - 3 meses, senhores. Só lhes peço três meses. 

               - E quanto aos outros 6 meses que já lhe demos, sr. Santiago?

     Perguntou o homem que olhava nossas fotos, num forte sotaque americano. Ele caminhou lentamente até meu pai e pediu que os outros homens se afastassem: 

              - Eu vou pagar, eu juro que vou. Por favor, eu peço com a minha vida, me dê mais tempo, eu vou dar todo o dinheiro.
             - Eu acho que tive outra idéia. Um outro tipo de pagamento. 

             - Qual senhor? Pode pedir, qualquer coisa, pode pedir. 

O homem sorriu com o canto dos lábios e apontou para a foto em cima da cômoda. Foto cujo aparecia, eu e meu pai, juntos. 
  E antes que eu meu pai abrisse a boca eu sai correndo dali, voltando para o meu quarto. Peguei minha mochila sem pensar em nada, abri a janela e pulei para fora da casa. 

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