CAPITULO1. BOA NOITE, PAPAI!
Depois de 6 horas intermináveis de viagem, eu ainda estava lá, enclausurada naquele carro, como se estivéssemos andando em círculos, sem nunca chegar a um destino.
Eu gritei, reclamei, chorei, e protestei ferozmente, trouxe a tona todo o sofrimento e a angústia que eles estavam me fazendo, mas não era o suficiente para que me libertassem.
E então, depois de 2 horas, eu aceitei o meu destino, sem mesmo saber o que seria de mim dali pra frente.
Eu me encolhia no canto direito do carro, debruçada no vidro fume, escutando somente o ruído da minha respiração, um tanto acelerada. Eu esticava meus olhos ao lado oposto do carro, a fim de olhar para o homem que tornou realidade o pior pesadelo do meu pai.
E ele parecia não se preocupar muito, nem com a situação, muito menos com a minha presença. Vestia um terno, e sua postura era ereta, um figurão da alta sociedade americana, pensei.
- Eu quero ir pra casa!
-Exclamei, em alto e bom som.
- Você está em casa agora, Miss Santiago.
Eu retomei minha posição inicial, apática, apenas debruçada, encolhida sobre a janela do luxuoso carro, e na minha mente atordoada, rodavam por milhares de vezes a cena que eu acabara de vivenciar.
Era uma manhã de sábado e eu ia sair para fazer comprar de Natal com o meu pai. Enquanto eu estava em meu quarto, me vestindo, eu escutei um estrondo de arrombo, e logo em seguida, meu pai exaltou a voz.
Eu corri imediatamente para ver o que acontecia na sala, mas parei atrás da porta, olhando uns homens conversarem com ele.
Meu pai parecia confuso, levantava as mãos com freqüência, tremia e pedia calma.
O sotaque dos homens, me impediam de entender o que eles falavam ,mas meu pai parecia estar acostumado e respondia imediatamente tudo o que lhe era perguntado.
Passos atrás deles, tinha outro homem, de terno, que olhava as fotos de família que tínhamos na cômoda, observando-as atentamente.
- Por favor, me dêem mais um prazo.
- O prazo já lhe foi dado, senhor. Ou paga, ou morre!
Meu coração sentiu um aperto e eu tentei dar um grito, mas levei as mãos à boca, para abafar qualquer tipo de som que pudesse sair. Meu pai estava tremulo, era visível seu medo diante dos dois homens.
- 3 meses, senhores. Só lhes peço três meses.
- E quanto aos outros 6 meses que já lhe demos, sr. Santiago?
Perguntou o homem que olhava nossas fotos, num forte sotaque americano. Ele caminhou lentamente até meu pai e pediu que os outros homens se afastassem:
- Eu vou pagar, eu juro que vou. Por favor, eu peço com a minha vida, me dê mais tempo, eu vou dar todo o dinheiro.
- Eu acho que tive outra idéia. Um outro tipo de pagamento.
- Qual senhor? Pode pedir, qualquer coisa, pode pedir.
O homem sorriu com o canto dos lábios e apontou para a foto em cima da cômoda. Foto cujo aparecia, eu e meu pai, juntos.
E antes que eu meu pai abrisse a boca eu sai correndo dali, voltando para o meu quarto. Peguei minha mochila sem pensar em nada, abri a janela e pulei para fora da casa.
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